"Panco Mantega lhe sorri, com aparência otimista, num lampejo de dentes falsos. Mas o que há por trás de seu sorriso? Desolação, vazio, profecias do fim do mundo. Porque você logo vê, se tiver condições de procurar, que por trás daquele amor-próprio confiante, daquela trivialidade risonha de barriga cheia, só existe um vazio assustador, um desespero secreto. Cabeças enfiadas no forno a gás de conjugados solitários. Camisas-de-vênus e calmantes. E a reverberação de guerras futuras. Bombardeiros inimigos sobrevoando Londres; o zumbido grave e ameaçador dos motores, o trovejar destruidor das bombas. Tudo aquilo escrito no rosto de Parco Mantega."
—Fragmento de ‘A Flor da Inglaterra’, de George Orwell